A partir do momento em que, na nossa relação amorosa, os momentos de angústia pesam mais do que aqueles que nos dão prazer, há que ter cuidado, pois estamos perante um amor doentio.
«Descobrir uma dependência é fácil, o pior é sair dela. Às vezes é necessário procurar ajuda profissional para nos libertarmos de um relacionamento destrutivo», aconselha Mariela Michelena, autora da obra «Mulheres Mal-amadas» (A Esfera dos Livros).
Neste livro, afirma acreditar que «em qualquer mulher mal-amada por uma série de homens há uma mulher que se quer mal a si própria», como sublinhou em entrevista exclusiva à revista saber viver.
Até agora, estávamos habituadas a entender a dependência amorosa das mulheres como um reflexo da sua dependência económica. Atualmente, ficamos surpreendidos ao descobrir que, afinal, muitas mulheres bem sucedidas e economicamente independentes, sofrem por amor tal como as suas antecessoras do século XIX.
O contraste entre o sucesso profissional e a fragilidade emocional é surpreendente. A predisposição para o sacrifício e o sofrimento por amor é uma característica tipicamente feminina.
Tanto faz o que conseguimos atingir em todos os outros aspetos da nossa vida. Quando um homem entra em cena, tudo se modifica. Mas isto é uma tendência, é bem diferente de acharmos que somos obrigadas a sofrer, condenadas a ter relações infelizes. Saber reconhecer a nossa natureza é o que nos permite cuidar de nós mesmas.
Os sinais de que fala diferem de mulher para mulher e manifestam-se de diferentes formas. No entanto, é preciso perguntarmos a nós próprias se nos sentimos confortáveis na relação ou se estamos constantemente aterrorizadas com a possibilidade de esta terminar.
É também importante perceber se existe reciprocidade, se sentimos que recebemos tanto quanto damos ao outro, perceber se na relação há espaço para ambos crescerem, se se compreendem, se são mais os bons momentos ou os maus...
A repetição é inerente ao ser humano. Repetimos situações sem que sequer nos apercebamos disso e escolhemos companheiros tão igualmente desastrosos como os anteriores, convencidas de que, desta vez, estamos a fazer tudo certinho.
Mas a verdade é que, geralmente, repetimos situações que vivemos na infância e das quais não temos sequer consciência e, às vezes, é necessária a ajuda de um terapeuta para conseguirmos virar a página, compreender que estamos a reviver tudo e romper o ciclo da repetição.
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