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Os segredos do desejo

Sexóloga responde às dúvidas mais frequentes sobre a libido

«A palavra de ordem para uma boa relação sexual é uma comunicação bem estabelecida entre os parceiros, uma cumplicidade que gera o aumento da sensibilidade e do erotismo», afirma Manuela Costa, sexóloga.

Contudo, na prática, a harmonia a dois pode ser confrontada com situações díficeis de lidar e até de falar, como a falta de desejo sexual.

Leia as respostas da especialista e saiba como agir quando nem tudo corre como o planeado e desejado.

O que explica a ausência de desejo sexual?

A ausência ou diminuição de desejo sexual, tanto no homem como na mulher, pode ser de origem fisiológica ou psicológica. As causas fisiológicas estão sobretudo ligadas ao sistema endócrino responsável pela orquestração hormonal. O défice de hormonas que estimulam a libido, nomeadamente a testosterona nos homens e os estrogénios nas mulheres, provoca uma perda de excitação que resulta no desejo sexual hipoactivo. As razões psicológicas podem ser múltiplas: cansaço devido a um quotidiano monótono ou difícil, desinteresse sexual pelo parceiro, estado de melancolia pela perda real ou simbólica de alguém querido, entre outras.

A falta de desejo é exclusiva das mulheres?

Embora seja uma característica de ambos os sexos é mais frequente na mulher. A nível emocional pode estar ligada à insatisfação face ao parceiro ou à habituação ao facto de estar sozinha. O desejo sexual precisa de ser estimulado, se isso não acontece ela sente cada vez menos excitação. Está também ligado à sensibilidade, sensualidade e cumplicidade na relação e a demonstração de afeto é essencial para despoletá-lo.

O que distingue homens e mulheres?

O sexo é estimulado pelo cérebro em ambos os géneros. No homem manifesta-se mais no sentido da atração erótica, ou seja, a imagem de alguém que o atrai gera excitação e desejo sexual. Na mulher a excitação e o desejo estão mais associados à emoção, à segurança afectiva e por vezes material.

A rotina é prejudicial?

A sexualidade faz parte da vivência, da totalidade do ser. Temos de perceber qual o perfil de vida da mulher. Se tem de se levantar cedo, levar os filhos à escola, trabalhar e, depois chega a casa e realiza as tarefas domésticas é difícil que, neste cansaço físico, tenha disponibilidade sexual. Aos fins de semana, quando este ritmo decresce, pode ser mais fácil.

Os fármacos intervêm na libido?

Os antidepressivos funcionam como inibidores da libido, tanto em homens como em mulheres. No caso da pílula contracetiva, apesar de não anular totalmente o desejo sexual, conduz à sua diminuição.

É verdade que o desejo sexual diminui na gravidez?

Como as mulheres são muito estimuladas ao nível da sensibilidade, se estão satisfeitas com a gravidez e se os companheiros estão igualmente felizes pelo nascimento do filho, é normal que este se mantenha. Quando os problemas da gravidez afetam a vida do casal, a falta de desejo sexual é uma consequência natural.

E na fase pós-parto?

Nas primeiras três semanas após um parto natural não se aconselham relações sexuais coitais. O útero deve repousar, uma vez que foi sujeito a uma dilatação enorme e o canal vaginal precisa de recuperar a elasticidade das mucosas. Pode recorrer a outro tipo de relações que não ponham em causa a saúde física da mulher, como a sexualidade oral, desde que o desejo exista. O défice hormonal em qualquer situação, inclusive no pós-parto, diminui a atividade libidinal. As causas emocionais estão por vezes presentes, como o parto complicado, má relação com o parceiro ou gravidez indesejada.

 

Veja na página seguinte: O impacto da menopausa na libido

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