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Ponto final na relação

A perspetiva de um psicólogo sobre o fim dos relacionamentos

 

Um relacionamento pode acabar quando as pessoas caminham pela vida a velocidades diferentes, quando os interesses se tornam incompatíveis, quando uma das pessoas sobe enquanto a outra desce, ou fica ao mesmo nível, em termos morais.

Há ainda razões de cariz mais mais psicológico, como terem iniciado um relacionamento projetando um no outro imagens ideais.

O que sucede, muitas vezes, é que acabam por constatar, depois, que o outro afinal não é quem parecia ser, ou um relacionamento desigual em que um funciona mais como pai, mãe ou filho/a do outro do que como companheiro/a. Outra perspetiva consiste em admitir que todos funcionamos como seres físicos, emocionais/afetivos, intelectuais e espirituais. A relação pode existir ou não e estar ou não a correr bem a todos estes níveis.

Conheci casais que me perguntavam se valia a pena prosseguir quando não tinham relacionamento sexual há anos, mal se falavam, apenas partilhavam a casa e refeições, tinham interesses diferentes nos tempos livres e no trabalho, um era ateu e o outro religioso. Nessa condição, há uma pergunta que se impõe. Qual casamento?

Esses casais estavam separados há anos, só não tinham assinado os papéis. Um relacionamento pode e talvez deva, idealmente, funcionar a esses quatro níveis. Às vezes não funciona ou deixou de funcionar e é possível dar um jeito. O que impede? Por vezes, a distância já é excessiva e têm tantas memórias de sofrimento mutuamente infligido que é extremamente difícil ultrapassá-las.

Começar de novo

Há algumas receitas simples que podem dar bons resultados quando o objetivo é relançar um relacionamento. Uma delas é empenhar-se em seduzir novamente o/a outro/a reinteressando-se por ele/ela, por aquilo que faz, sente, pensa, gosta e não gosta, e aprendendo a apreciar tudo isso.

Outra alternativa consiste em criar novas memórias em comum, promovendo experiências novas e agradáveis em que ambos tomem parte, nomeadamente viagens, leituras, cinema, um curso que fazem juntos, fins de semana cúmplices, experiências culinárias. Podem ainda reviver e revisitar, intencionalmente e em conjunto, lugares e experiências do tempo em que estavam apaixonados e transportar isso até ao presente. Tempo de qualidade em conjunto é um dos segredos.

Dizer adeus

Os relacionamentos podem acabar, como tudo na vida. Geralmente, um dos cônjuges sente isso primeiro que o outro. Normalmente um dos sinais é perceber que ficarem juntos acarreta mais sofrimento do que a separação e/ou que o crescimento pessoal e espiritual fica mais perturbado nessa condição do que se se libertarem para novos horizontes.

Texto: Vítor Rodrigues (psicólogo)

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