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Qual o principal motivo que leva as famílias a procurar a sua ajuda para perder peso?

É a preocupação com o facto dos filhos poderem ter excesso de peso. E não se trata de uma questão de saúde: o que mais atormenta os pais é a possibilidade de poderem vir a ser discriminados por serem gordinhos.

E têm tanto medo que as crianças sofram que resolvem intervir. Nessa altura, percebem que eles próprios não sabem o que hão-de fazer para os ajudar e que também precisam de ajuda.

Em que é que se distinguem as estratégias que utiliza com as crianças?

A linguagem utilizada tem de ser completamente diferente. Não posso falar em calorias nem em hidratos de carbono, tenho de falar em termos muito mais acessíveis.

Por outro lado, tenho de responsabilizar a criança e fazê-la perceber que são as suas atitudes que vão mudar o curso das coisas, mas não a posso pressionar ao ponto de ter medo de vir cá se não estiver menos pesada.

Que objectivos estipula?

Muitas vezes, os objectivos com as crianças são traçados não pela diminuição de peso, mas pela manutenção, uma vez que se a criança mantiver o peso e crescer ela irá emagrecer.

Por exemplo, uma criança de 12 anos que pese 65 quilos pode não precisar de perder peso pois irá crescer e com 65 quilos é capaz de ficar magra, mas se pesar 100 quilos, aí vai ter de perder peso a sério.

Que estratégias define para as idas às compras?

Normalmente fazemos um workshop em que mostramos o que é que devem comprar para depois não haver birras no supermercado. Por exemplo, ensinamos a família a ler os rótulos dos alimentos e lançamos o desafio de, no dia seguinte, quando forem às compras, ser a criança, como se fosse um jogo, a escolher as bolachas mais adequadas.

Também aconselho a não levar doces para casa: é preferível comer uma sobremesa no restaurante ou um gelado na rua do que os levar para casa onde é quase impossível estar permanentemente a dizer não.

Que estratégias prevê para compensar abusos alimentares?

É normal fazermos pontualmente um exagero ou outro e quando isso acontece temos duas opções: ou compensamos através de actividade física ou dos alimentos que vamos ingerir a seguir ou sabemos que, à partida, teremos um emagrecimento mais lento.

Nenhuma das opções está errada. Cada pessoa terá que definir a melhor estratégia para si.

Quais os principais erros alimentares das famílias que tem seguido?

Em geral, as doses são muito grandes e as opções alimentares são más por dois motivos: os adultos não comem legumes, o que faz com que as crianças também não os comam, e preferem comidas que se preparam rapidamente, fazendo com que as refeições sejam muito monótonas.

Qual é a grande mensagem deste programa?

O facto de se ter uma profissão exigente e dois filhos não nos impede de ter um estilo de vida saudável e simpático. Na verdade, nem é preciso mudar muita coisa para o conseguir.

 

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