Oriente vs Ocidente
Será a música oriental mais relaxante que a ocidental? À pergunta de leigo, o compositor responde-nos com um peremptório não! Trata-se apenas de uma técnica diferente - nós temos uma escala de 12 sons, é a escala ocidental, ou chamada escala pitagórica; enquanto que a oriental (indiana e árabe) utiliza sons para além destes 12. Logo aqui há uma cor completamente diferente...
Saiba-se, por exemplo, que não se pode tocar uma música oriental num piano, além de que ritmicamente nós sentimos a música a quatro ou a dois tempos e os orientais têm padrões completamente diferentes. Contudo, isto não significa que essa diferença influencie mais ou menos os comportamentos.
O compositor é da opinião que a relação que se estabelece entre a pessoa e a música é muito particular. Daí, que este profissional faça questão em sublinhar que o projecto que realiza com o autor e o editor dos textos dos CD's não é Musicoterapia, mas antes que se trata de um projecto musical que produz efeitos nas pessoas.
Sem nunca esquecer que cada pessoa é uma essência única, logo nem todos podemos reagir da mesma maneira ao que nos chega do exterior.
Teorias à parte, a verdade é que é inegável o efeito da música no nosso comportamento. A reacção das pessoas pode ser diferente mas na sua maioria ninguém resiste a sentir uma emoção, por breve e efémera que seja, ao ouvir um acorde maior. Afinal, como dizia Pessoa, "o verdadeiro mistério das coisas, é que elas não têm mistério nenhum".
Walkman na sala de operações
De origem profana ou sagrada, a verdade é que pensar na música como algo que cura é uma das descobertas mais fantásticas do nosso Tempo.
Em Nova Iorque, o corpo médico de um hospital permitiu que os pacientes idosos escolhessem uma selecção musical para ouvir, enquanto eram submetidos a uma cirurgia ocular ambulatória, o que reduziu bastante a pressão sanguínea e o stress. "A música pode normalizar a pressão alta provocada pelo stress da cirurgia", disse Karen Allen, chefe da equipa da Universidade do Estado de Nova York, em Búfalo.
Ao que parece, os pesquisadores avaliaram um grupo de 40 homens e mulheres entre os 51 e os 87 anos, submetidos a cirurgia ambulatória para catarata ou glaucoma. Metade dos pacientes receberam um walkman e auriculares para usar durante a cirurgia. Os pacientes escolher¬am uma selecção musical que incluiu violão clássico, folk e música dos anos 40 e 50. A outra metade do grupo não ouviu música durante a cirurgia.
Face a um controle de pressão, os dois grupos revelaram um pico significativo na manhã da cirurgia, indicando um alto grau de ansiedade antes do procedimento. Os pacientes que ouviram música voltaram ao nível normal de pressão, cinco minutos após o início da música. Enquanto os submetidos à cirurgia sem música continuaram com elevados níveis de pressão, segundo o estudo publicado da revista "Psychosomatic Medicine".
"Nestas faixas etárias, não se sabe o que pode acontecer se a pressão aumentar. As pessoas podem sofrer derrames ou enfartes", afirmou aquela responsável, acrescentando: "Quanto mais calmo o paciente estiver, melhor se vai sair".
Perante este cenário, os investigadores disseram mesmo que se fossem administradores de um hospital, pensariam seriamente em permitir que as pessoas levassem o seu walkman para as cirurgias ambulatórias - "Não custa nada. Não tem riscos, não magoa, pode ajudar e todos gostam", concluiu.
Agradecimentos: António Lopes Gonçalves (Compositor) e Carlos Vicente (Editor)
![]()