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Culinária com bom gosto

Isabel Quadros: uma apaixonada pela cozinha de fusão

Há dois anos, não havia restaurante na Estação dos Caminhos de Ferro de Moçambique, em Maputo. Hoje o Kampfumo enche à hora do almoço, e, aos fins de semana, é local obrigatório. Isabel Quadros é a responsável pelos pratos cheios, que saem da cozinha. Iguarias que misturam o gostinho moçambicano com a mão portuguesa, numa fusão que funciona.

Por mais estranho que pareça, Isabel passou a maior parte da sua vida, sem gostar nem de cozinhar, nem de comer. Até aos 35 anos. “Começou a apetecer-me comer bem. Nos restaurantes não encontrava o que queria, pelo que comecei a fazer receitas”. Para Isabel Quadros, qualquer pessoa consegue cozinhar, é só agarrar numa receita e cumpri-la até ao fim. Mas para cozinhar bem é preciso paixão, amor pelo que se está a fazer. “Cozinhar de empreitada não dá, é preciso descobrir o condimento certo para equilibrar a receita. Cada mão tem a sua história e criatividade e é isso que temos de pôr nos pratos”.

Isabel Quadros já teve três restaurantes em Portugal, tendo começado em 1984 e fechado o último quando veio para Moçambique, há dois anos. E a comida de fusão já a acompanhava, sempre baseada na cozinha portuguesa. Fazia bruschettas de compota de abóbora e queijo de cabra, lombo de porco com compota de figo, carbonara de bacalhau. “A cozinha portuguesa é a mais rica para mim, a mais completa. Acho que é a melhor para servir de base a pratos de fusão”.

Kampfumo

Isabel Quadros nasceu e cresceu na Ilha de Moçambique, e a comida moçambicana não só lhe é conhecida, como lhe é cara. Quando usa batata doce para acompanhar um estufado de carne, ou faz arroz de coco, ou coze peixe serra em leite de coco e coentros, sente-se em casa. O Kampfumo é conhecido pelos seus pastéis de massa tenra, a massa com camarão, o bife ao alhinho e os camarões panados. Todos com um toque especial de Isabel.

Em Moçambique, ela sabe que todos os pratos devem vir fartos, sempre com salada e molho.”O moçambicano não gosta de pratos secos e também prefere comidas mais saudáveis”. Não é por acaso que Isabel usa sempre azeite nas suas receitas, só fritando as batatas com óleo, e não dispensa a sua salada com um molho especial, que não se encontra em mais lado nenhum.

Hoje, o Kampfumo é quase um centro de negócios, onde muitos almoços empresariais sáo organizados. O ambiente convida, sempre com uma musiquinha baixa, um serviço impecável e comida fantástica. E aquele que, há dois anos, era só um bar com pouca notoriedade, hoje tornou-se um dos mais importantes locais de referência gastronómica de Maputo. Isabel Quadros agradece o carinho.

 

Texto e fotos: Marta Curto

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