Cresceu e estudou num colégio de freiras. Mais tarde formou-se em técnica de medicina e começou a exercer a função numa unidade sanitária em Maputo. Depois de casar e ter filhos, descobre, através de “crises”, que a única maneira de ser tratada seria tornar-se curandeira.
Com 51 anos de idade, técnica de medicina, formada em Direito e a exercer o cargo de jurista no Ministério da Saúde, Maria de Fátima é também curandeira. “Cresci e estudei num colégio de freiras, nunca tive qualquer contacto com práticas tradicionais, apenas sabia da existência dessas práticas através de uma vaga lembrança que tinha do meu pai a despejar um pouco de vinho no chão”, explica Maria de Fátima.
O tempo foi passando e as crises aumentaram. A necessidade de encontrar alguém que lhe explicasse o que estava a acontecer fê-la deslocar-se à África do Sul para consultar um curandeiro mais experiente.
“Quando cheguei ao Soweto, o curandeiro não precisou de fazer muito, apenas disse o que eu já previa: que eu era curandeira e que era urgente o tratamento. No início, não quis acreditar, foi muito difícil de aceitar e o pior foi ter de lidar com o preconceito da sociedade e de alguns colegas de trabalho”, confessa.
Apesar dos obstáculos que enfrentou e dos preconceitos que viveu, Maria de Fátima considera-se uma mulher feliz por ser o que é e também por ter voltado às raízes graças ao seu dom. “Se alguém me perguntar se escolhi ser curandeira, não conseguiria dar-lhe uma resposta porque não escolhi ser o que sou hoje, mas graças à minha família, ao meu pai e alguns colegas de trabalho, consegui ter a formação que precisava para iniciar a actividade como curandeira. Há 10 anos que divido a minha vida entre o meu cargo no ministério e a minha missão como curandeira”, admite.
Maria de Fátima é considerada uma das médicas tradicionais mais respeitadas do país e é uma acérrima defensora da criação de uma lei para a medicina tradicional. Maria de Fátima, para além de jurista, é também membro presidente do Fórum de Medicina Tradicional e Alternativa de Moçambique.