Lucrécia Paco é uma das mais afamadas actrizes moçambicanas, destacando-se não só internamente, mas também ao nível internacional. Anualmente tem sido convidada para apresentar os seus trabalhos pelo mundo inteiro, com destaque para a Europa, particularmente na Alemanha, onde ano após ano tem apresentado peças teatrais.
“Poder singrar fora de Moçambique não é apenas prestigiante para mim, mas também para o meu país”, comentou Lucrécia Paco quando instada a falar da sua carreira, para depois acrescentar que os patamares que tem atingido no teatro “são a confirmação da realização de um sonho de infância: ser actriz profissional”.
“Mulher Asfalto” é a última peça teatral de Lucrécia Paco, em jeito de monólogo, que está a fazer muito furor entre os moçambicanos, pois a sua temática está relacionada com a protecção da mulher. Com “Mulher Asfalto”, Lucrécia Paco faz abordagem sobre o tema da prostituição no país, e no mundo, sendo que, na peça, ela, a prostituta rompe o silêncio e faz o uso da palavra. Palavra essa prostituída, da sombra, da esquina, do passeio, da rua, enfim, é uma luta que a prostituta empreende para existir como ser humano numa altura em que a sua carne prostituta é vendida, violada, comercializada.
“Há uma necessidade de consciencialização da sociedade para que valorize a mulher e a arte tem esta função de sensibilizar, visto que, a partir do momento em que não me conformo com certos males da sociedade, recorro à arte como uma arma para não ficar indiferente ao que acontece”, disse Lucrécia Paco.
Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, a uma prostituta ser brutalmente espancada por um polícia nas ruas da capital, Antananarivo. “A mulher caía no chão e levantava-se. Caía de novo e mais uma vez levantava-se. Caía e levantava-se sem deixar de falar”, explicou a actriz mais internacional de moçambique sobre a origem do texto da peça “Mulher Asfalto”.
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