Luísa Freitas chegou a Moçambique em 2005 para dar formação num hotel de Maputo. Licenciara-se em Turismo em Portugal, já trabalhara dez anos na área e a oportunidade pareceu-lhe boa. Durante um ano e meio, ensinou hospitabilidade numa unidade hoteleira da baixa. Depois, gostou tanto de Moçambique, que decidiu ficar. Até 2011 experimentou outras áreas, mas em Agosto deste ano decidiu regressar definitivamente à sua paixão: hospitabilidade. Ou seja, ensinar a estar, fazer e receber.
Luísa não fez nenhuma prospecção de mercado, só ouviu aqui e ali, as queixas das donas de casa. Diziam que os seus colaboradores domésticos careciam de bases,e queixavam-se da falta de tempo para lhes ensinar. “Da realidade que constatei e dos conhecimentos que tinha, achei que fazia falta um serviço mais personalizado nesta área”.
Luísa não precisou de nenhum investimento inicial para montar a sua empresa, a Celeste. Sendo uma empresa de serviços, bastava-lhe ir a casa das clientes e ensinar o que sabia. Admite, no entanto, que ser empreendedora é um desafio. “Uma pessoa tem de se auto-motivar, auto-disciplinar, porque somos nós que temos de fazer tudo. Por isso, há que gostar muito da área em que se investe, senão desiste-se a meio caminho”. Para ela, se não há mais pessoas a abrirem o seu próprio negócio é porque receiam perder a sua segurança financeira enquanto o negócio não atingir a velocidade cruzeiro. As elevadas taxas de juro nos bancos também não ajudam a largar tudo e empenhar-se no sonho de uma vida.
Luísa promoveu a sua empresa na base do marketing directo, ou seja falando com os amigos e esperando que o boca a boca desse conta do recado. Até agora, foi o suficiente. No entanto, este é só o primeiro passo do seu sonho. “Gostava de ver uma franca evolução nesta área, e de ter, por exemplo, a minha empregada a servir de formadora no futuro, assim como outros colaboradores domésticos que eu ensine. A longo prazo gostava de abrir a minha própria guest house”. Há quem diga que o sonho comanda a vida e que a sorte sorri aos audazes. Qualquer um deles se aplica a Luísa Freitas e à sua Celeste.
@Marta Valeriano