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À prova de tudo

Há filhos que se sentem rejeitados quando um dos pais encontra um novo amor.

A separação nem sempre abre espaço à chegada de um novo elemento na família, mas reconhecer que amar é importante pode minimizar esta reacção.

Recomeçar a vida depois de uma separação, divórcio ou morte do companheiro é um desafio que, por vezes, se acompanha de pressões e manipulação por parte dos filhos. Mas lidar com o «seguir em frente» sem que as crianças tomem conta da vida do progenitor tem solução.

São várias as situações em que os filhos de um casal separado, ou depois de um dos pais falecer, ficam com ciúmes do novo namorado da mãe ou da nova companheira do pai e resistem à chegada deste novo adulto na vida familiar. Apesar de constituir um episódio de tensão, pode ser entendido e resolvido com naturalidade. A criança ou adolescente deve perceber que os objectivos de futuro podem incluir uma nova vida amorosa com um novo companheiro, sem que isto quebre a relação de afecto existente com o seu educador.

Nem todas as crianças reagem negativamente quando aparece um elemento novo na famí­lia. Há aquelas que, por terem maior capacidade de resistência e para lidar com rupturas ou porque foram preparados pelos pais para as necessidades amorosas dos adultos e reconstrução das suas vidas, ficam felizes com o novo homem ou nova mulher que entra em casa. Contudo, ter perdido o pai ou a mãe, vê-los só de vez em quando, na sequência de um divórcio, deixar de ter a sua presença, protecção e apoio em casa, pode ser um trauma grande. Lidar com os problemas dos adultos não é fécil, mas as crianças estão preparadas para compreender e aprovar aquilo que é razoável e seguro, particularmente quando são incluídas nos novos planos familiares e são convidadas a participar deles (consoante a sua idade). Compete aos educadores passar uma mensagem acolhedora e reconfortante para que a passagem de uma relação bidireccional (de pai para filho e vice-versa) para uma tridireccional, que envolve um terceiro elemento, possa acontecer de maneira pouco atribulada.

Por sua vez, há adultos que não ficam confortáveis ao apresentar um novo companheiro aos filhos, que não se sentem nesse direito ou não sabem como o dizer aos filhos, possibilitando que essa fragilidade alimente competição entre criança e adulto. Mas também há casos de adultos que introduzem o novo adulto nas suas vidas sem preparar a criança ou atender às suas necessidades emocionais primeiramente. Esta sente o seu espaço ameaçado, pode achar que a mãe ou o pai gosta mais da outra pessoa do que dela, sentindo-se rejeitada e sem saber que papel ocupar na nova organização familiar.

Todos estes sentimentos são legí­timos e o progenitor deve lidar com eles com respeito. Se a criança tem ciúmes, tenta dominar a situação e não reage bem à presença de outrem (mais uma vez deve atender-se à idade da criança), pergunte-se a si própria se ela estará a sentir-se abandonada, sozinha e o que tem feito para colmatar este desequilí­brio, se for este o caso. Ela pode achar que a figura do pai ou da mãe (que já não faz parte do quotidiano) está a ser substituída pela de um estranho e senti-lo como uma traição.

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