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Mime os seus filhos com limites

Mimar os filhos, oferecendo-lhes tudo o que está ao seu alcance não é seguramente uma boa política.

Já tínhamos aqui falado sobre a necessidade de tempo de qualidade com os seus filhos, coisa que nunca será compensada por qualquer bem material. Mimar os filhos oferecendo-lhes jogos, roupa das melhores marcas, telemóvel de última geração, ou ser mãos largas em distribuir dinheiro, ou negligente no consumo televisivo de todo o tipo e quantas horas quiser, não é seguramente uma boa política.

É melhor que as crianças e adolescentes aprendam a esperar e a lutar pelas coisas que querem porque ao recebê-las de mão beijada deixarão de as valorizar. E isso inaugura um processo infindável de caprichos, pedidos e frustrações. Os filhos não podem olhar para os pais como um mealheiro insaciável ou uma fonte constante de realização dos seus desejos.

Não estamos a defender que deixe de presentear o seu filho com coisas materiais, às vezes até com elevado valor material, mas deve ser um acto de gratificação, normalmente enquanto recompensa de alguma realização dele, uma boa nota na escola, uma lembrança por ter tido um bom desempenho numa qualquer actividade ou, claro, por alguma data especial. É uma excepção e não algo que se faça a toda a hora senão torna-se viciante.

Depois há aquelas mães-galinha, que desculpam sem discussão todos os erros dos filhos, que fazem por eles os deveres da escola, telefonam aos professores à mínima repreensão ou pressionam as amizades, muitas vezes por insegurança própria de mãe ou porque o filho é tímido ou preguiçoso, tem problemas na escola ou faz chantagem. Mas não é com essa atitude que vai resolver o caso ou ajudar o seu filho. Uma mãe tem de ser vigilante e atenta, mas sem exageros. Fique de olho, mas salvaguardando alguma distância. Há mães que mais tarde se vêm a arrepender de terem sido demasiado protectoras, quando percebem que, na tentativa de minimizar os problemas, acabaram por inibir mais a criança e muitas vezes criar uma pessoa mimada e egoísta.

As crianças precisam de espaço para crescer e aprender, errar e voltar a tentar de novo, lidar com um «não» bem sonoro sem fazer disso uma birra de meia hora. Devem reconhecer o esforço de conseguir algo e aprender a resolver os problemas por si próprias. Precisam, sobretudo, do seu amor, carinho e protecção, de sentir firmeza na sua presença e cumplicidade. Mas têm de saber defender-se, de estar prontas para os desafios da vida, para mais tarde serem independentes e donas das suas próprias escolhas.

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