Chocolate, limão, caramelo. Morango, nata e pistácio. Cone ou copo? No verão? Todo o ano?
Gelados, há tantos e tantos sabores. Quais é que já experimentou? Pede sempre os mesmos ou gosta de variar? Agora tente associar um determinado sabor de gelado a uma pessoa que lhe seja próxima.
Foi fácil? Se calhar não... Mas vamos apresentar-lhe alguém que se dedicou a fazer uma analogia entre os diferentes sabores de gelado, as pessoas que a rodeavam e o tipo de relacionamentos que tinha com elas. Steff Deschenes tem 26 anos e é autora do livro The Ice Cream Theory, que autopublicou em 2009, após ter sido recusado por inúmeras editoras. No entanto, bastou pouco tempo para o livro ganhar um prémio. E outro. E mais outro...
Considerado pelos críticos uma das mais originais obras de autoajuda, «The Ice Cream Theory» (A teoria do gelado, em tradução direta) já conquistou 12 prémios literários (sim, 12!). A saber viver conversou com esta «especialista» mundial em gelados. E prémios.
Tive o meu primeiro desgosto amoroso aos 16 anos e, embora se tratasse de uma coisa vulgar e superficial, própria de adolescentes, naquela altura pareceu-me que os alicerces do meu mundo estavam a ruir. Comecei, desde então, a utilizar os diferentes sabores de gelado para explicar, comparar e racionalizar as relações que as pessoas tinham comigo.
Achei que era um conceito original. Dessa forma, aquilo que começou por ser um mero trabalho para a minha aula de escrita, no liceu, acabou por se transformar num livro alguns anos mais tarde.
Imensas! Mas tinha um plano alternativo. Se, decorrido um ano, nenhuma editora quisesse publicar o livro, investiria o meu dinheiro e autopublicava-o. Mesmo assim foi um ano difícil, recheado de centenas de variantes do clássico não ou, ainda, a minha versão preferida, não ter absolutamente resposta nenhuma. As rejeições não me travaram. Desde os oito anos que quero ser escritora e não era precisamente na altura em que já tinha o meu livro escrito que ia desistir.
De forma alguma! Simplesmente sentei-me e comecei a escrever sobre o elenco de personagens que apareceram ao longo da minha vida e quais os sabores de gelado que cada uma delas me lembrava. Costuma-se dizer que devemos escrever sobre aquilo que conhecemos. Haverá algo que conheçamos melhor do que as pessoas que nos rodeiam?
A ideia de ser um livro de autoajuda assustou-me, primeiro porque o mercado está inundado desse tipo de livros e depois porque pensei «o que é uma rapariga de vinte e tal anos sabe sobre a vida a não ser a experiência no seu pequeno mundo?» Mas, afinal, parece que sabia qualquer coisa ou o livro não teria ganho prémios.
Quando ganhei o primeiro prémio, fiquei excitadíssima e voltei a ficar novamente excitadíssima ao ganhar o décimo segundo. No entanto, a parte mais valiosa tem sido o contacto com os leitores, saber o que é que o meu livro significou para eles, como mudou as suas vidas ou os inspirou. Penso que é o mais gratificante, ver como as pessoas se relacionam e se identificam com a nossa arte.
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