1
 

Aprenda a gostar de si

Reforce a auto-estima

Muito se fala sobre auto-estima. Passou até a ser banal, afirmarmos que é fundamental estarmos primeiro bem connosco próprios, para depois conseguirmos estar bem com os outros. Mas, afinal, o que é a auto-estima? De onde vem? Como se constrói?

Digamos que é o modo como nos vemos e se gostamos, ou não, do que vemos. Daí que algumas pessoas possuam uma fraca auto-estima, enquanto que outras a têm fortalecida. No entanto, a questão ultrapassa muito aquilo que a realidade nos oferece, já que ao olharmos para nós, não o fazemos de um modo objectivo mas sim através daquilo que transparece dos olhares dos outros.

É sempre difícil avaliarmo-nos, sem termos em conta aquilo que os outros pensam de nós e o modo como nos tratam. Assim, por exemplo, uma pessoa que esteja constantemente a ser vítima de críticas, dificilmente poderá construir uma ideia positiva a seu respeito, já que tudo em sua volta aponta para o contrário.

Mas, o conceito que temos acerca de nós próprios, vai-se formando ao longo da vida, sendo que a infância desempenha um papel central. Não será nada abusivo afirmar que a auto-estima se começa a construir desde o momento da concepção, uma vez que ainda dentro da barriga da mãe, o feto é capaz de vivênciar emoções como a rejeição e o amor.

Sentir-se amado no ventre materno

É hoje também consensual aceitar-se a ideia de que uma mãe que acarinha o ventre e fala com o seu bebé, transmite todo o amor e satisfação que o projecto de maternidade lhe traz.

Mais tarde, após o nascimento e nos primeiros tempos de vida, estas emoções e sentimentos vão sendo cada vez mais clarificados. A atenção, o cuidado e o carinho com que se trata uma criança são fundamentais para que se sinta amada e acolhida na família.

Para além disso, durante a infância, as mensagens do tipo “és bonito”, “és inteligente”, “és capaz”, estimulam as crianças no sentido de tentarem ser cada vez melhores. No entanto e infelizmente, ao invés disso, existem Pais e educadores, que optam pelo percurso oposto.

Assim, as crianças estão constantemente a ouvir dizer que são preguiçosas, não fazem nada bem feito e nunca serão nada na vida. Ora, temos de ter em conta que, em idades muito precoces, a palavra do adulto é lei isto é, não existe da parte dos mais novos a capacidade de colocar em causa aquilo que os Pais lhes dizem, pelo que assumem essa realidade e passam a agir segundo ela.

Não se esforçam por nada e acabam por encaixar na imagem que os Pais traçam deles. De facto, é extremamente difícil aprendermos a gostar de nós próprios, quando as pessoas mais significativas são as primeiras a mostrar-nos que não somos suficientemente bons, nem dignos do seu amor.

 

As mensagens que danificam a auto-estima

As mensagens de desamor podem ser claras ou então estarem escondidas por detrás de constantes reprovações. Alguns pais têm também por hábito culpar os filhos de tudo o que acontece, sem se preocuparem em apurar a verdade.

Na escola este facto é bastante notório quando, perante uma má nota, raramente se questionam se o jovem tem um ambiente familiar que favoreça o sucesso, se é acarinhado e estimulado nesse sentido. Ainda assim, não é só no seio da família que a auto-estima se constrói.

Outros contextos, como o grupo de amigos e a escola, desempenham uma importância fundamental. Mas, não podemos deixar de acentuar que a família é, sem dúvida, o aspecto mais importante.

A família, é suposto desempenhar o papel de um porto de abrigo, constituir uma fonte de carinho e de amor, incondicionais. Quando todos estes pressupostos falham, é muito difícil construir-se uma auto-estima suficientemente forte que na idade adulta aguente os abalos decorrentes das frustrações diárias, dos problemas profissionais e afectivos.

Por isso mesmo, cabe aos pais a tarefa de assumir que ter filhos é muito mais que um acto puramente biológico. É, de entre muitas outras coisas, estimular a construção de uma auto-estima positiva, porque só assim estarão a encaminhá-los no sentido de uma existência feliz e realizada.

 

 
Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Infantil e do Adolescente

Consultórios:

Clínica da Criança
Telef.: 21 4155850

Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

consultório no Sapo : http://psicologiacriancaeadolescente.blogs.sapo.pt/

1
Comentar
Os comentários ficarão públicos