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Os pais divorciados devem fazer duas festas separadas ou celebrar em conjunto o aniversário do filho?

Cada um fará o melhor no seu caso. O aniversário pode ser uma boa ocasião para fazer tréguas e suspender as hostilidades. Se isto for possível, pode ser favorável reunir os pais no aniversário do filho.

Mas se há o risco da festa derivar para um ajuste de contas, o resultado será bem pior do que festejar com a mãe e com o pai em separado.

Há pessoas que fazem múltiplas festas de aniversário (com a família, os amigos, os colegas). O que pensa sobre isto?

É excessivo, mas apesar de tudo, reforça a auto-estima. Por outro lado, há aqui um paradoxo, pois quanto mais a pessoa festeja o aniversário mais me leva a pensar que ela gostaria de ser mais jovem. Trata-se de um exagero significativo da cultura do envelhecer jovem.

Diferentes povos festejam o aniversário de diferentes formas. Quais os rituais mais curiosos que conhece?

A tradição flamenga, em que se molha a testa do aniversariante com um pouco de vinho, como se fosse um baptismo, e a do Quebeque em que o aniversariante recebe tantas palmadas quantos os anos que comemora mais um para dar sorte.

O que significam os termos «birthday blues» e «síndrome de aniversário» referidos no seu livro?

O síndrome de aniversário é o coincidir na mesma data acontecimentos singulares na vida (nascimento, doença, morte). O «birthday blues» é a depressão que acompanha a passagem dos anos, a sensação de envelhecer.

O que dizem os estudos científicos acerca dos «birthday blues»?

A investigação à volta do «birthday blues» é vasta e demonstra que a aproximação da data de aniversário pode, em certas idades e pessoas, provocar uma ligeira tristeza, mas também uma depressão mais severa ou, até mesmo, uma tentativa de suicídio.

Quem envelhece melhor: os homens ou as mulheres?

Por volta dos 50 anos, as mulheres passam muitas vezes por uma crise, associada à perda de sedução, coisa que os homens não sentem. Mais tarde, após os 70 ou 80 anos, as mulheres aceitam e admitem indiscutivelmente melhor que os homens o facto de envelhecerem, o que as ajuda a sobreviver claramente mais tempo do que eles.

O que podemos fazer para gerir melhor a passagem dos anos?

Não existem receitas, mas digamos que o bem-estar físico e psicológico e uma boa auto-estima são factores importantes. Outros incluem os afectos, a memória, a realização de objectivos e o êxito dos valores transmitidos aos filhos.

O que é a idade subjectiva de que fala no seu livro?

É a idade que sentimos interiormente, a maior parte do tempo, largamente inferior à que temos efectivamente. Ela varia em função das experiências favoráveis e desfavoráveis.

De que forma nos podemos tornar mais jovens «subjectivamente», como refere no livro?

São as experiências positivas que nos fazem rejuvenescer subjectivamente e as perdas afectivas ou de saúde que nos tornam um pouco mais velhos. Estar apaixonado rejuvenesce, estar de luto faz envelhecer.

A idade subjectiva pode influenciar a idade biológica ou vice-versa?

Sim, a saúde faz-nos sentir mais jovens, a doença mais velhos. Da mesma forma, se eu me sinto jovem interiormente serei mais resistente, mais dinâmico e estarei em melhor forma.

Texto: Vanda Oliveira

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