No seu livro, dedica um capítulo à introspecção.
A auto-avaliação e a auto-estima estão relacionadas?
A luz da consciência e a capacidade de introspecção são instrumentos maravilhosos e únicos da espécie humana, que nos permitem examinar, valorizar, questionar e mudar a nossa própria imagem ou a representação mental que construímos de nós mesmos.
E o que os outros pensam de nós tem ou não um grande peso na avaliação que fazemos de nós próprios?
A ideia que temos de nós é condicionada pela opinião que os seres mais importantes da nossa vida têm e expressam sobre nós. Durante a infância, essas pessoas são a mãe, seguida do pai, de familiares e educadores. Na adolescência, as opiniões dos nossos colegas de grupo são de grande importância.
As pessoas que possuem uma grande autoconfiança ou auto-estima elevada são imunes a essa pressão?
Quando falamos de auto-estima elevada é necessário diferenciar a auto-estima saudável, baseada em qualidades que fomentam o bem-estar do indivíduo e dos demais, da auto-estima narcisista, que se alimenta do sentimento de superioridade ou de poder sobre o próximo.
O sucesso e a auto-estima estão relacionados?
As pessoas que gostam de si próprias preferem centrar-se nas suas virtudes e não nos defeitos. Desta forma, dedicam-se mais às coisas que fazem bem, tornando-se mais resistentes e eficientes.
De que forma pode a auto-estima influenciar a qualidade de vida?
As pessoas com uma auto-estima saudável conseguem desenvolver boas relações sociais e sentem-se mais seguras e confiantes em situações de intimidade do que aquelas que se inferiorizam ou cuja auto-avaliação se baseia em qualidades narcisistas de domínio e poder.
Uma pessoa com uma auto-estima baixa está condenada a falhar socialmente?
Quem possui uma auto-estima muito baixa tem tendência para se sentir indefeso, vítima de um destino que não escolheu, frustrado e impotente perante as suas próprias expectativas inalcançáveis ou atacadas por um desespero melancólico.
Não gostar de nós próprios provoca sentimentos de desencanto e inferioridade, fomenta o isolamento social, a indecisão, a insegurança e a desconfiança.
Quer deixar às nossas leitoras alguns conselhos práticos para fortalecerem a sua auto-estima?
Aconselho que alimentem o optimismo e fortaleçam as suas funções mentais executivas. Estas funções permitem-nos regular os nossos pensamentos, emoções e condutas.
Ajudam-nos também a valorizar o desejo de atingir um objectivo possível, a gerir a nossa energia, a planificar a estratégia e a controlar os impulsos que podem interferir com os nossos planos. Estas capacidades executivas requerem motivação e força de vontade. Tomar as rédeas da nossa vida consome-nos muita energia.
Os aliados da auto-estima
- Desculpe-se Os sentimentos de culpa e remorso ajudam a examinar-nos, a reconhecer os nossos erros ou excessos. Motivam-nos a desculpar-nos e a esforçar-nos por mudar com o objectivo de sermos melhores.
- Torne-se voluntário Dedicar-se a uma causa ou um grupo desfavorecido é uma excelente forma de aumentar a sua auto-estima. E o melhor de tudo é que, ajudando-se a si mesma, estará a ajudar outras pessoas.
- Rodeie-se de quem gosta As relações afectivas são antídotos contra uma baixa auto-estima ou, em casos mais graves, o autodesprezo.
- Dedique mais tempo a actividades em que tem bons resultados. Isso irá torná-la mais confiante.
Texto: Alexandra Pereira