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Cabelo: bênção ou maldição

Tratar do cabelo africano em Lisboa

Cacheado ou com tranças ou quem sabe ao natural… Com extensões ou curtinho, pouco importa, nenhum cabelo é bom se não for bem tratado. Lavar, secar, esticar são actos que agridem o cabelo, especialmente o africano que inspira cuidados especiais.

Segundo a cabeleireira Edna Silva, do “Tchissola”, salão especializado em cabelo africano em Lisboa, é frequente aparecerem clientes que sofreram pequenos acidentes em casa, por se terem “aventurado” a fazer experiências com o cabelo.

 “O nosso cabelo exige muito mais cuidados. (Por exemplo) Não convém desfrisar e pintar no mesmo dia, a não ser que seja tinta de água ou com farandol,” acrescenta Edna Silva.

A maioria das clientes do “Tchissola” é africana. Uma clientela que nem sempre é fácil de agradar, explica Vitória Quarenta, proprietária do salão.”As clientes gostam de ser bem atendidas e gostam de estar num sítio onde se sintam bem”, explica a proprietária do salão.

Apesar do “Tchissola” oferecer também serviço para homens, estes ainda resistem a este tipo de serviço. “Preferem o barbeiro”, refere Vitória Quarenta.

E por falar em barbeiro, que tal subirmos à Cova da Moura? Durante mais de 10 anos passou muito cabelo pelas mãos dos barbeiros da “Mimosa”. “ Vem todo tipo de pessoas mesmo jogadores e cantores,” explica Fogo, barbeiro da “Mimosa”.

Contudo, este também é um negócio que não escapa à crise. José Odílio, barbeiro há dez anos, explica que longe vão os tempos em que as pessoas tinham de fazer fila para serem atendidas. “Hoje, em 30 minutos ou uma hora, a pessoa está despachada,” desabafa o barbeiro.

E se os homens são menos frequentes nos cabeleireiros africanos, as mulheres não se inibem de ir ao barbeiro. É o caso de Zinha Furtado que há 4 anos decidiu deitar o cabelo abaixo. “É mais prático,” explica a representante do sexo feminino na “Mimosa” e acrescenta ainda que toda família e os amigos adoram o corte.
Estávamos ainda na década de 80, quando pela mão da Júlia Silva surgiu a “Julisil” - uma loja pioneira na comercialização de produtos para cabelo africano. Um negócio de família onde hoje trabalham as filhas e os respectivos maridos, e até as netas da fundadora dão uma mãozinha.

“Decidimos começar a comercializar o produto para o cabelo africano, porque tínhamos muita procura por parte das clientes africanas,” explica Laura Silva, uma das filhas da fundadora.

A prática transformou Laura Silva numa médica dos cabelos: “Aconselho sempre as minhas clientes sobre o tipo de produto a usar, se vejo um cabelo mais danificado, sugiro um tratamento.”

O mercado africano, angolano em concreto, já começa a ser explorado pela “Julisil”. Em 2010, participaram numa feira em Luanda que correu “muito bem”. Contudo ainda não se coloca a possibilidade de abertura de uma filial angolana.

Vaidade ou necessidade, entre desfrisantes, tintas, extensões, cortes, mascaras e cremes, quem quer ter um bom cabelo terá de gastar algum.

Cristina Morais

Agradecimentos: Salão Tchissola, Barbearia Mimosa, Julisil

 

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