Frisado, encaracolado, curto, longo, liso, apanhado, solto, tranças, dreadlocks... O que é que define um bom cabelo de um mau cabelo? Ou, devo ou não usar o meu cabelo ao natural?
Numa simples pesquisa pela internet descobrimos uma variedade de sites, vídeos e redes sociais que procuram incentivar as mulheres africanas a deixar os produtos capilares mais agressivos, como desfrisantes e alisantes de lado e descobrir novos produtos e uma nova forma de se mostrarem ao mundo, soltando a carapinha. Veja aqui alguns exemplos
O tema ou o drama (na perspectiva de algumas mulheres) já serviu de pano de fundo a filmes e programas de entretenimento. Em “Good Hair”, produzido pelo comediante Chris Rock, e ao jeito de documentário, várias celebridades falam dos seus cabelos frisados, perucas e desfrisantes, e explicam o porquê das suas escolhas.
Já num episódio de “The Tyra Banks Show”, a famosa ex top-model decidiu levar o tema para o palco e pela primeira vez aparece em público sem peruca nem extensões, conduzindo a audiência maioritariamente feminina à euforia, tal como se tivessem ganho um bilhete de lotaria premiado.
Nem os mais pequenos escapam a todo este processo de sensibilização. No célebre programa infantil “Rua Sésamo” existe a personagem de uma menina africana que ficou famosa com a música “I love my Hair”, onde “eu adoro o meu cabelo crespo” é a frase chave.
Mesmo assim, a dúvida persiste. É um assunto que está em voga, invertem-se os papéis e deparamo-nos com loiras, morenas ou ruivas que trançam os seus cabelos ou que se deixam aventurar até às tendências afro, onde o penteado estilo Erikah Badu voltou à ribalta. Mas aparentemente não é o suficiente para destronar várias décadas de uma sociedade negra que para ser aceite imita a sua congénere branca.
O estigma do cabelo africano começa desde muito cedo. Primeiro, a mãe não tem paciência nem tempo para dispensar ao exigente processo que é o pentear de uma cabeleira afro, consequentemente prefere utilizar um desfrisante. Entretanto já se tem idade para cuidar do próprio cabelo e persiste o hábito deixado pelos tais maravilhosos produtos alisantes, ou simplesmente vigora a ideia de que o cabelo liso ou encaracolado é mais bonito, mais sexy e mais atraente.
Numa tentativa de fazer emergir a beleza e os valores da mulher africana tradicional, de eliminar as consequências nefastas de alguns produtos capilares, ou porque simplesmente o resultado da equação custo/beneficio/aparência não é o realmente desejado, algumas mulheres têm defendido o afro natural.
No mundo da web são já vários os sítios onde se pode encontrar truques e dicas que ensinam como tratar de um cabelo frisado sem se recorrer a desfrisantes.
E como não poderia deixar de ser, também na rede social da moda, Facebook, são várias as páginas que procuram incentivar o universo feminino africano a tratar melhor dos seus cabelos. Tudo em nome da identidade e dos valores da mulher africana.
Desde os simples ganchos aos turbantes de pano africano, são muitas as alternativas para tornar a sua carapinha mais atraente e convencê-la a libertar a cabeleira afro que existe em si.
Vanessa Sanches
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