O efeito surpresa
Além da actividade física, deve exercitar também o cérebro. Para o manter em forma nada mais simples do que usá-lo.
Mas como? Abolindo desde já a rotina previsível que o faz funcionar em piloto automático.
A capacidade de aprendizagem pode perder rapidez com a idade mas não desaparece. Precisa apenas de ser espicaçada.
Quebra-cabeças ou puzzles podem dar uma ajuda, mas o que importa é que actividade lhe proporcione prazer e seja difícil.
Isso pode exigir esforço, mas é mais estimulante para o cérebro. A memória, que receamos perder, não tem limites e é susceptível de evoluir em qualquer idade se for trabalhada.
Segundo Ramón Campayo, recordista mundial de memorização, «criar e associar imagens mentais, ler rapidamente e ser auto-confiante é essencial para uma boa memória». Partir de um plano global e só depois
fixar-se nos pormenores é outra das técnicas deste terapeuta para assimilar informação.
Viva a curiosidade
A atitude perante a vida determina a energia do seu cérebro. Isto porque condiciona a forma como reage aos estímulos que a rodeiam. Manter uma postura rígida e fechada a novas experiências, contribui a pouco e pouco para a distanciar do presente, logo prepara-a mal para o futuro.
Deixe-se surpreender e aproveite cada oportunidade para pôr a cabeça a funcionar. Como? É simples. Leia, vá ao cinema, exposições, inscreva-se em cursos de dança, culinária, jardinagem ou aceite o desafio de voltar à sala de aula e aprenda uma língua nova. Acompanhe as últimas tendências da moda, cultura e descubra as músicas que estão a causar sensação. Participe numa associação, partilhe um hobby com amigos ou explore novas realidades através da Internet.
Tudo são boas estratégias para manter desperto o bichinho da curiosidade e exercitar o cérebro. E se alguém lhe disser que há uma idade para tudo responda que a vida é sua e que vai aproveitá-la.
Texto: Manuela Vasconcelos com Elvis Carnero (fisiologista do exercício)