Já imaginou sair à noite vestida, da cabeça aos pés, com peças no valor de 800 meticais? Sim, estamos a falar de 800 meticais em vestuário exclusivo, que não foge às tendências da moda.
Esta é a realidade de muitos moçambicanos que procuram no mercado informal uma alternativa aos elevados preços e também para se vestirem bem seguindo sempre os novos padrões da moda a um preço bem reduzido.
A alternativa não é nova, mas com o acentuar da crise a tendência para a procura de roupas da “calamidade” tem aumentado cada vez mais.
“A roupa da calamidade é muito barata, confortável e dura muito tempo, sem contar que é exclusiva e da moda”. É desta forma que a vendedora Catarina vê o negócio das roupas de “calamidade”, enquanto explica como está a decorrer o negócio.
“No inverno não temos muita saída porque há uma carência de fardos nos armazéns, isto porque na Europa é verão e as roupas que nos chegam do inverno são muito poucas, sem contar que aqui as pessoas não acumulam muita roupa de inverno, mas sim de verão”, acrescentou.
Apesar da pouca saída, tanto Catarina como a sua colega, Amélia, estão satisfeitas com o negócio, pois recebem clientes de todas as classes sociais e bolsos. “Todos vestem as nossas roupas, muitas «madames» e até os nossos famosos vêm comprar as nossas roupas”, frisou Catarina.
No inverno, os casacos, os fatos de treino, as camisolas e até os cachecóis são as peças que maior saída têm, e o preço é o mais agradável. “Os casacos mais caros custam 200 meticais, as camisolas custam 150 a 180 meticais cada e fatos de treino custam 50 meticais a peça”.
No verão, a procura de roupas frescas e confortáveis também é grande. Segundo as vendedoras, calções curtos, saias, blusas, vestidos são as peças de roupas que mais vendem.
As principais clientes de Catarina e de Amélia são as mulheres, são elas que mais compram e os homens só aparecem para compra de revenda.
“Os homens não vêm cá comprar, as mulheres são as mais consumidoras, por isso é que apostamos mais nas mulheres do que nos homens. Os homens vêm comprar algumas peças, mas depois vão revendê-las”, afirmou dona Amélia.
O movimento no mercado de Fajardo altera consoante os dias. Mas existem clientes que não se deslocam para o local, porque as vendedoras já as conhecem e fazem entrega ao domicílio.
Aberto todos os dias, as bancas no Mercado Fajardo registam maior movimento às Terças-feiras e Sábados, quando as vendedoras recebem os fardos, e aos Domingos também.
Para aqueles que procuram roupas para saírem à noite, também encontram casacos e roupa adequados à ocasião, o que significa que o mercado dos fardos não vai desaparecer tão cedo e há cada vez mais pessoas a escolherem esta via como alternativa aos preços das lojas.
Texto: Sílvia Panguane