Wacelia Zacarias foi uma das maiores vencedoras da 6ª edição do Mozambique Fashion Week, que entre os dias 6 e 11 de Dezembro transformou Maputo na capital da moda africana.
Aos 28 anos, conquistou o prémio de melhor Young Designer. O próximo sonho: estabelecer-se por conta própria.
Onde foste buscar a inspiração para fazer a colecção “Verão Oriental”, com a qual conquistaste o prémio Young Designer no Mozambique Fashion Week (MFW)?
Wacelia Zacarias (WZ) – Quando estava a fazer a pesquisa para esta colecção, que é a parte que mais demora, porque tem de se olhar as tendências, as cores, o que os outros estão a fazer, olhei muito para os estilistas indianos e para a semana de moda Lakmé Fashion Week, em Mumbai.
Olhei muito para o trabalho deles, para os tecidos. Eles usam um algodão muito mais leve, muita seda, e a capulana que usei para esta colecção nem parece capulana. É uma capulana indiana. Trabalhei com ela numa colecção de pijamas. Estou a começar a desistir da capulana moçambicana, porque é muito quente e acabamos por ficar sufocados.
Quantas peças apresentaste e que cores é que dominavam esta colecção ?
(WZ) – Oito peças. As cores são terra: creme, castanho, verde terra, alguns laranjas, ocre, um amarelo muito ligeiro.
Como é que classificas esta colecção?
(WZ) – É uma colecção muito mais simples do que todos os trabalhos que já realizei. É muito mais pronto-a-vestir, por isso achei que deveria ser mais completa para vender em lojas e noutros locais. É muito mais comercial. Chega a uma altura que não pode ser só o sonho de desenhar a orientar o nosso trabalho.
As coisas têm de se tornar viáveis, porque, neste mundo da moda, se não houver ninguém a dizer para cortar as asas muitas vezes a pessoa voa. Ao contrário da colecção que apresentei o ano passado, a deste ano é muito mais prática e qualquer pessoa pode usá-la. Para esta colecção fiz peças que se podem juntar de qualquer forma. Deixei que cada peça falasse por si.
Porque é que achas que o júri decidiu conceder-te o prémio de Young Designer no meio de 28 estilistas?
(WZ) – É muito difícil responder a essa pergunta, mas pelo que me apercebi eles consideraram a minha colecção muito completa. Eu tinha muito acessórios, carteiras, chapéus, pulseiras, cintos, devem ter achado o meu trabalho mais completo do que o dos outros. Depois, conversando com algumas pessoas, percebi que também pode ter sido pela criatividade e simplicidade, pela consistência, pelo facto de as peças conversarem umas com as outras.
Achaste que este ano o nível foi melhor do que no anterior?
(WZ) – Claramente que sim. No ano passado, estive nos bastidores e observei que havia acabamentos muito maus. Este ano havia acabamentos perfeitos. Foi uma coisa de que se falou no ano passado e parece que os estilistas acataram. Não basta produzir só uma coisa bonita, é necessário que haja qualidade.
Os estilistas este ano estavam muito mais preocupados com o detalhe. Acho que estamos a crescer todos os anos. E não nos esqueçamos que 90% dos nossos estilistas não se podem chamar estilistas. Somos curiosos. Não temos nenhum curso nem qualquer formação, é mesmo por curiosidade.
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